Aluguel doméstico de Container
Com base na entrevista dada a revista O Contêiner, edição
de número 74 - junho de 2005. Camilo Cid Peralta, chileno formado
em Engenharia pela Escola Naval de Valparaiso - Chile, com MBA na Pontifícia
Universidade Católica de Santiago-Chile, empresário e
diretor da empresa Greville Containers do Brasil, comenta:
“Um Segmento que cresce a cada ano é o de Aluguel
Doméstico de Containers.”
Um dos problemas enfrentados na logística devido ao crescimento
do comércio externo, seja exportação ou importação,
é a falta de espaços fechados para armazenagem de mercadorias.
Este mercado é alvo para o aluguel doméstico de containers e basicamente quem os usa são os setores de alimentação
e o industrial.
A armazenagem estática em container é a solução
para empresas que precisam aumentar sua capacidade de armazenagem, assim
como exemplo usá-los para arquivo morto ou até câmaras
frigoríficas móveis em supermercados. Se adicionarmos
a isto a possibilidade de fazer algumas transformações,
podemos utilizar os containers como dormitórios, escritórios,
banheiros e demais fins, com a facilidade de serem posicionados até
nos lugares mais afastados do país.
Um exemplo internacional é o Masakhane Container Mall construído
em 1993, que ainda hoje, é bastante movimentado e considerado
um Shopping Center de sucesso na África do Sul.
Um outro exemplo é a Canning Vale na Austrália, que é
uma cadeia provisória usada com êxito até os dias
de hoje.
As vantagens em se alugar um container e suas principais finalidades
de utilização, é que por serem modulares e facilmente
transportáveis adaptam-se a qualquer tipo de terreno com um mínimo
de estrutura para serem posicionados. Do ponto de vista do usuário,
não requer investimento imediato em obras de infra-estrutura,
pois o container já está pronto para ser utilizado, gerando
somente um custo variável, já que o usuário o aluga
pelo período exclusivamente necessário.
Esta flexibilidade permite que o container possa ser utilizado
por empresas nos mais diversos segmentos, e com as mais diversas utilidades,
quando em períodos de crescimento da demanda, elas precisam aumentar
a sua capacidade de estocagem por períodos pré-determinados.
Na armazenagem estática, o uso do container não tem comparação,
afinal, fica muito mais fácil ter-se um "armazém"
pronto, que pode ser colocado praticamente em qualquer lugar, do que
construir-se um outro, em alvenaria e que não se pode transportar-lo
para atender as áreas onde estivesse sendo necessário.
O mercado doméstico é basicamente atendido, na maioria
das vezes, com containers inservíveis para os padrões
de navegação, estes são colocados no mercado pelas
Cias. Leasing ou Armadores. Alguns anos atrás, com a grande falta
de equipamentos, os chamados containers inservíveis
foram classificados e recolocados em uso nos embarques de exportação,
o que, de certa forma, refletiu também no mercado doméstico.
O doméstico, apesar de ser um mercado diferente daquele com vistas
ao comércio externo, também apresentou falta de equipamentos,
hoje em dia isto já esta sendo normalizado e inclusive as Cias.Leasing
e as de Navegação têm reagido com presteza, reposicionando containers vazios de outras áreas, para portos brasileiros onde
se fazem necessários.
Mesmo assim ainda hoje existem algumas áreas onde há falta de containers, no entanto a situação
está se revertendo, estabilizando a demanda
num patamar mais alto.
Justamente visando este desequilíbrio que existe sazonalmente
entre os containers que entram no país e os que saem,
é que surge uma outra solução para exportadores
- o aluguel One Way (uma viagem).
Quando os lugares de destino não têm muitas exportações,
existem custos altos embutidos nos fretes pois os containers devem voltar
vazios, com um conseqüente aumento no valor. Assim abre-se, para
vários destinos, a possibilidade dos Containers One
Way, o que barateia o frete pois o container permanece em destino.
Esta é uma das vantagens em se fazer parte de uma estrutura internacional
que permite o uso intensivo dos containers em um mercado globalizado.
Tanto os armadores quando as Cias. Leasing classificam algumas unidades
como inservíveis que, não prestando mais para o comércio
marítimo internacional são utilizados no mercado doméstico,
Essas unidades têm vida útil garantida.
A Câmara Brasileira de Containers tem liderado esta classificação
e conseguiu uma legislação a este respeito. Os containers podem até ser inservíveis para o uso de transporte multimodal,
mas não são de modo algum inservíveis para o aluguel
doméstico.
Todas estas unidades "inservíveis" passam por um processo
de reparo e recondicionamento não só para melhorar a sua
aparência cosmética mas principalmente restituir a sua
capacidade de resistência estrutural.
Uma vez reparados e recondicionados obtemos um laudo de uma empresa
de vistorias internacional, o que garante a utilização
do container, inclusive para o transportes de cargas. Conhecemos casos
de containers fabricados há mais de vinte anos que ainda
são utilizados sem problemas para o transporte multimodal.
As normas ISO que regulam essa fabricação, garantem que,
se reparado de forma eficiente, o container terá sua resistência
estrutural restituída.
No Caso dos chamados inservíveis existe uma legislação
específica obtida pela Câmara Brasileira de Containers,
para que sejam utilizados como escritórios, sanitários,
alojamentos, almoxarifados e ambulatórios, além do uso
também em canteiros de obras, plataformas de petróleo,
feiras e eventos. As empresas que estão neste mercado operam
no mínimo desde o ano 1996 (?) e têm mostrado um crescimento
significativo e sustentável.
Os containers comumente procurados são basicamente os Containers Dry e Reefer. São os mais utilizados no mercado doméstico,
não muito comum que apareça mercado para unidades tidas
como especiais, Open Tops ou Flat Racks por exemplo, a não ser
no segmento das plataformas de petróleo onde, as vezes, são
solicitados esses tipos de equipamentos.
Com respeito ao tamanho dos containers mais utilizados no mercado domésticos,
temos de 20 pés, 40 pés e os 40 pés Hi Cube.
Já nas plataformas de petróleo e alguns projetos especiais
são muito utilizados os contêineres de 10 pés.
No caso de containers frigoríficos, além das
vantagens no aluguel, podemos apontar o baixo custo quando comparado
com uma câmara frigorífica tradicional (fixa). Como já
pronunciado, o a possibilidade de aluguel só nos períodos
de grande demanda e a facilidade de transportar a mercadoria da origem
ao destino e ali deixá-lo armazenado é um grande ganho.
As áreas de maior demanda para o aluguel são as que geograficamente
estão envolvidas com a produção e exportação
de carnes de frango, boi e suínos.
A Greville Containers do Brasil a mais de uma década
no mercado vê e avalia as mudanças durante este período e tem testemunhado uma verdadeira revolução no setor marítimo
portuário.
O aumento de movimento de containers em Santos neste período
tem sido impressionante Além do aumento significativo, percebe-se
uma tendência de deslocamento do uso de 20'pés para 40'pés.
A modernização dos portos atingiu os terminais, obrigando-os
também a se modernizar. Os terminais de containers além
de hoje serem mais modernos e mais eficientes, têm-se adequado
às necessidades dos usuários em qualidade, rapidez e profissionalismo.
Abrem-se mais e mais Terminais Retroportuários Alfandegados e
estações Aduaneiras do interior, os Portos Secos, redundando
em um melhor atendimento aos clientes, que passaram também a
contar com opções de serem atendidos no interior e não
só nas cercanias dos portos. Os sistemas de informatização
têm crescido em uma curva quase vertical. A Alfândega tem
sistemas de declaração de mercadorias de forma informatizadas,
interligados aos terminais, Agências, Despachantes e a todos os
profissionais que atuam na área e também a outros órgão
como Polícia Federal e Praticagem, entre outros.
Os Governos têm dado incentivos aos investimentos feitos no setor
portuário, como o Reporto, trazendo assim, para o país,
os últimos avanços tecnológicos que se usam no
mundo, dando possibilidade de os portos brasileiros "brigarem"
de igual para igual com os concorrentes.
Como diz um documento das Nações Unidas:“...esta
revolução mostra que a containerização tem
modificado radicalmente o transporte multimodal, a estrutura dos tráfegos,
os itinerários dos veículos transportados, o desenho e
tamanho dos navios, o equipamento, as operações para a
manipulação da carga, o transporte e os terminais interiores
de carga, as práticas comerciais, os procedimentos aduaneiros
e as práticas de trabalho e emprego" e, conseqüentemente,
a utilização que se dá aos containerstambém
vem sofrendo mudanças significativas nos últimos anos,
deixando de ser exclusivamente para o transporte multimodal.